Cannes Abre 79ª Edição com Homenagem a Peter Jackson

Cannes Abre 79ª Edição com Homenagem a Peter Jackson

O maior festival de cinema do mundo começa nesta terça-feira (12) em Cannes, na Riviera Francesa, com uma programação de mais de 100 filmes e um clima que mistura celebração artística e ecos das tensões globais. A cerimônia de abertura está marcada para as 19h00 (14h00 no horário de Brasília), dando início a duas semanas que vão até 23 de maio. Ao todo, 22 longas concorrem à Palma de Ouro, o prêmio mais cobiçado do circuito mundial de cinema.

Entre as atrações da noite de abertura está a homenagem ao cineasta neozelandês Peter Jackson, diretor da trilogia "O Senhor dos Anéis", que receberá uma Palma de Ouro honorária pelo conjunto de sua obra. "Ele transformou para sempre o cinema de Hollywood e seu conceito de espetáculo", afirmou o delegado-geral do festival, Thierry Frémaux, reforçando o peso simbólico da escolha. Assim como em outras formas de entretenimento que atraem público global - do cinema aos jogos digitais, caso do jogo apple of fortune, que também conquistou adeptos ao redor do mundo -, Cannes segue como vitrine capaz de unir tradição artística e apelo de massa. jogo apple of fortune

Estrelas no tapete vermelho e a disputa pela Palma

Nos próximos dias, nomes de peso da sétima arte devem desfilar pelo tapete vermelho do Palais des Festivals. Os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz competem em filmes diferentes, enquanto o casal Michael Fassbender e Alicia Vikander estrela "Hope", do diretor sul-coreano Na Hong-jin. Dos 22 filmes na disputa pelo prêmio máximo, apenas cinco são assinados por mulheres, um número que volta a levantar debate sobre representatividade na seleção oficial.

Entre os concorrentes mais aguardados estão nomes historicamente ligados ao festival, como o russo Andrey Zvyagintsev, vencedor de múltiplos prêmios com "Leviatã", e o iraniano Asghar Farhadi, autor de "A Separação". Já o japonês Hirokazu Kore-eda e o romeno Cristian Mungiu, ambos já premiados com a Palma de Ouro no passado, tentam conquistar o troféu pela segunda vez. Pedro Almodóvar, por sua vez, chega à sua sétima disputa pela coroa com "Amarga Navidad" - apesar do reconhecimento recorrente de Cannes ao longo de sua carreira, a Palma de Ouro segue sendo a única grande honraria que ainda escapa ao diretor espanhol.

Júri busca critério apartado da política

A presidência do júri deste ano cabe ao cineasta sul-coreano Park Chan-wook, que divide a responsabilidade de julgamento com nomes como a atriz Demi Moore, a diretora chinesa vencedora do Oscar Chloé Zhao e o cineasta chileno Diego Céspedes. Eles definirão o sucessor de "Foi Apenas Um Acidente", do iraniano Jafar Panahi, vencedor da edição anterior. "Acredito que os prêmios devem ser concedidos a obras que perdurem por 50 ou 100 anos", disse Park Chan-wook à AFP, defendendo que um filme seja avaliado por seus próprios méritos, sem interferência de fatores como nacionalidade, gênero ou ideologia política.

Apesar do discurso de neutralidade, a geopolítica dificilmente fica de fora do debate em Cannes. O festival é frequentemente cobrado a se posicionar diante de conflitos e crises internacionais, uma pressão que Frémaux rejeita publicamente. "O Festival de Cannes é frequentemente solicitado a assumir um papel, a refletir sobre questões que não lhe dizem respeito diretamente", declarou o delegado-geral, defendendo distância entre a instituição e a política. O tema ganha relevância após a polêmica recente envolvendo o Festival de Berlim, criticado por sua suposta indiferença diante da guerra em Gaza - um contraste que coloca Cannes sob novo escrutínio nesta edição.