A Globo vai cobrar R$ 135,074 milhões por cota nacional de patrocínio da Fórmula 1 em 2027, cerca de 8% a mais que os R$ 125,04 milhões pedidos para a temporada de 2026. O novo valor foi publicado pelo Propmark em 7 de outubro e mantém o mesmo número de vagas oferecidas no pacote anterior: seis cotas nacionais. O reajuste chega sustentado em três pilares que a emissora detalha em seu plano comercial: a presença de dois brasileiros no grid, a ampliação do calendário de corridas sprint e os números de audiência do primeiro ano de volta da categoria à casa.
Como ficou a conta por plataforma
Quando recuperou os direitos da F1, que estavam com a Band desde 2021, a Globo colocou à venda seis cotas de R$ 125,04 milhões cada, segundo o Meio & Mensagem, formando um pacote que superava R$ 750 milhões. Cinco marcas compraram: Chevrolet, Claro, Heineken, Santander e 99. Para 2027, o aumento não foi distribuído de forma uniforme entre as frentes que compõem a cota - TV aberta, TV paga, digital e redes sociais. A TV aberta, que concentra a maior fatia do valor, subiu apenas 3%, de R$ 100 milhões para R$ 103 milhões. O salto mais expressivo ficou com o Sportv, que passou de R$ 11 milhões para R$ 14,7 milhões, alta de 34%. No digital, a cota foi de R$ 11,2 milhões para R$ 13,5 milhões, com R$ 2,4 milhões destinados ao Globoplay e R$ 1 milhão ao marketing de influência da ViU.
Dois brasileiros no grid e mais sprints no calendário
O primeiro argumento comercial da Globo é a confirmação de dois pilotos brasileiros titulares na F1 em 2027. Gabriel Bortoleto segue na Audi, e Rafael Câmara foi anunciado pela Haas em 15 de outubro, assumindo a vaga de Esteban Ocon. É uma combinação rara: a última vez que o Brasil teve dois pilotos na mesma temporada foi em 2016. A campanha “O futuro chega primeiro nas telas da Globo” aposta nessa narrativa geracional, unindo os dois brasileiros a nomes como Antonelli, Hadjar e Bearman. O segundo argumento é estrutural: a F1 mantém 24 GPs em 2027, mas o número de fins de semana com corrida sprint sobe de seis para dez. Isso amplia a grade do Sportv, que além das 24 corridas principais vai transmitir as dez sprints e as dez classificações sprint, somando 1.903 inserções comerciais - 470 a mais que na temporada atual.
Audiência do retorno reforça a tese comercial
O terceiro pilar do plano é o desempenho de audiência da própria Globo no retorno à transmissão da categoria. Segundo o material comercial, as 11 corridas exibidas até o fim de julho alcançaram 57 milhões de pessoas na TV aberta, com audiência média e alcance por transmissão cerca de quatro vezes maiores que os registrados pela Band em 2025. No Sportv, os números giraram em torno de três vezes os do BandSports nas mesmas provas, com alcance de 8 milhões de pessoas. O destaque citado é o GP da Grã-Bretanha, que reuniu 18 milhões de espectadores no Brasil - a maior audiência da prova no país em oito anos e, segundo a emissora, o maior público de uma corrida de F1 no mundo desde 2020. No digital, essa corrida gerou 150 milhões de visualizações de vídeo e 8 milhões de interações.
O que o pacote de 2027 vai entregar
Para a nova temporada, a TV Globo prevê 15 GPs ao vivo, nove compactos e seis pódios exibidos no Esporte Espetacular, totalizando 526 inserções comerciais, quatro a mais que em 2026. No ambiente digital, a projeção de impressões sobe de 150 milhões para 207 milhões, enquanto as redes da ViU devem passar de 18 milhões para 20 milhões de impactos. Quem já patrocina a categoria tem prioridade na renovação: segundo a Máquina do Esporte, as marcas que são patrocinadoras globais da F1 têm preferência até 29 de outubro, e as que compraram cobertura em 2026 têm prazo até 6 de novembro. Depois dessas datas, as vagas remanescentes vão ao mercado aberto, com a temporada de 2027 já garantindo dois pilotos brasileiros no grid como argumento de venda.